Archive for conhecimento

poços de piche, usinas radioativas

zilda, a vovó da família dinossauro, tinha um futuro programado. depois de chegar a seus 72 anos dinossáuricos, ela ia parar no poço de piche. até que bobbie contesta o ritual consegue impedir que a avó seja arremessada.

também tem uma lenda sobre uma tribo que matava os seus homens quando eles atingiam uma certa idade. até que um neto escondeu o seu avô, e quando essa tribo passou por uma guerra, contaram com a sabedoria do vovô escondido para vencer o oponente… e final feliz, nenhum idoso foi morto e a tribo prosperou com a experiência dos seus membros mais velhos.

de todas as culturas que conheço, o avançar da idade e o valor do idoso são interpretados como o alcance da sabedoria e a experiência. eu mesma mal posso esperar pra ficar velhinha, dessas que se aflige com pouco e passa o dia com um sorriso no rosto, sentada na cadeirinha de balanço, pensando mil coisas sobre o mundo e fazendo cafuné no gato ronronante em seu no colo.

e esses dias, tarrask compartilhou uma  notícia que me fez chorar: um grupo de engenheiros idosos aposentados se ofereceu para consertar o sistema de refrigeração na usina de fukushima. e o que me toca é que consertar a usina não é sobre sabedoria e experiência, mesmo apesar de entender que a abnegação por trás desse ato vem de uma sabedoria e experiência enormes. é sobre pessoas que querem livrar aqueles que gostam de um risco, assumindo esse risco para si. os efeitos da radiação seriam maléficos para aqueles que desejam ter filhos ou que vão viver mais de 20 anos, o que os idosos alegam não ser o seu caso. mas são eles – aquelas pessoas para quem muitos torcem o nariz ao ceder o lugar na fila – que pretendem, com uma atitude muito racional,  impedir que o risco do vazamento da radioatividade afete a quem quer ter uma vida longa.

assim como saramago, eu sou muito neta da minha avó. e, quanto mais nossa relação amadurece, mais vejo que me conecto a ela não somente pela sua sabedoria e experiência, mas pelo seu impagável bom humor, pelo bom senso, por ela ser tão prestativa e decente, pelo amor tantas vezes posto em prova e ainda incondicional que ela sente por mim. por qualidades dela que vão além das que ela conseguiu com o avançar da idade.

e penso como seria se pudéssemos respeitar as pessoas não pelo que é atribuído ao avançar da idade,  à cor de sua pele, ou suas restrições de mobilidade, mas pelos valores humanos e características de cada uma delas.

ser sintético e não ser superficial

não lembro onde vi (aliás, nunca lembro, me desculpem se não dou créditos por isso) alguém dizendo que recebeu uma longa carta da mãe junto com um pedido de desculpas: desculpas, meu filho, porque eu não tive tempo de escrever uma carta mais curta.

e tenho visto, em modelos de brief, em conversas com amigos ou nas referências que busco, cada vez mais os briefs uma frase, ou uma expressão, “briefs de uma palavra só”.

assim, você refina o seu desafio como planejador: tem que ser relevante, tem que apresentar uma nova visão sobre um problema a resolver, tem que ser inspirador e criativo e tem que aprender a ser sintético.

a sombra disso é bater na superficialidade, escrever qualquer coisa já que é uma entrega “pequena” mesmo. mas o trabalho para ser relevante com uma frase ou uma palavra é ainda maior. vai de todo o aprofundamento para chegar a um conceito bacana, todas as fontes e referências, e volta para eliminar o que não é relevante, o que não é inspirador e criativo, o que não vai contribuir na solução final.

é um exercício bacana olhar pro meu portfolio e perceber que os trabalhos que eu mais gosto, os que foram mais profundos, podem ser resumidos em uma palavra. alguns eu cheguei até a comunicar assim, e depois na apresentação, desenvolvi o raciocínio que levou até lá.

e acho que, entre as habilidades do planejador, deve estar a de ser sintético: não só contar uma história de maneira envolvente, mas entender o que realmente importa e se livrar do resto.

sir ken robinson e a bailarina

adoro o TED. já chorei muito (para o bem e para o mal) com o que vejo por lá: tem sempre algo interessante, e muitas vezes, desconcertante, sobre visões de mundo bem peculiares.
essa palestra não é nova, muito pelo contrário, mas vira e mexe me pego comentando sobre ken robinson e o que aprendi com ele nesse vídeo.

conheço muitas pessoas que não se adequam ao sistema formal de educação que temos hoje em dia. isso pode soar ruim, mas precisamos aprender a interpretar como ótimo: é dessa forma que conseguiremos profissionais orientados para outras áreas, já que existem outras habilidades – e ainda bem que existem.

a segunda parte do vídeo aqui.

being an unfortunate vs being a loser

há algum tempo tenho sentido uma ansiedade enorme sobre os rumos pra onde apontam a minha carreira (e a minha vida, depois dela). essa ansiedade é um mal ao qual chegamos pelos caminhos que a nossa organização social tem tomado: hoje, é o homem que está ao centro. é o homem responsável pelos seus atos e pelo seu destino. e são os méritos do homem que vão assegurar para ele o sucesso na carreira (e na vida).
posso dizer que fiquei mais tranquila de ver o speech de alain de botton no ted. a crise existencial e essa ansiedade toda não são problemas só meus. e mais ainda, que a meritocracia é uma ideia filosoficamente formidável, mas praticamente impossível.

Alain de Botton: A kinder, gentler philosophy of success
via update or die

molecular brand e uma dúvida de dois anos

na conferência do gp de 2008 assisti numa das sessões paralelas (da beth furtado – Desejos Contemporâneos: Patchwork de Tendências, Idéias e Negócios em Tempos de Paradoxos) sobre como as marcas cada vez mais devem ser capazes de mudar, mas preservar uma identidade que seja capaz de distingui-las. sempre achei isso um paradoxo. e ainda mais, me incomodava como colocar na prática e conseguir ver uma marca que muda o tempo todo, mas ao mesmo tempo, pode não só se distinguir de outras no mercado, mas ser referência a si mesma?
e dia desses achei duas apresentações no slide share que clarearam um pouco o assunto pra mim:

esse modelo propõe que a marca esteja alicerçada em 7 pilares: valores, raízes, lutas, interesses e benefícios, estilo de vida, hobbies e preferências. claro que para cada um dos públicos, um valor aparece mais do que os outros, ou ainda, um valor nem precisa necessariamente aparecer. isso pressupõe um esforço maior na construção da marca, mas também explica, pelo menos pra mim, como a marca precisa mudar, e efetivamente muda para cada público, mas conserva a sua identidade.

pra quem se interessa, a outra apresentação aqui.

zeus jones e a arquitetura de soluções de negócio


gosto muito do blog da zeus jones. sempre me traz visões interessantes, e não apenas da comunicação, mas como podemos encarar o futuro do mercado.
ontem, eu li esse post sobre especialização versus integração: se as consultorias entregam para as empresas uma visão de mercado bem distante da realidade, e se as agências (mesmo as que se autodenominam full service, 360 ou as ousadas fuck the line) acabam se prendendo à contratação de parceiros específicos ou de confiança para a execução (e se tornando “viciadas” pela execução), existe um gap entre a visão e execução do programa de marketing para as empresas.
é aí que entra o futuro da zeus jones, indo ligar as empresas às agências, mas não mais pensando em execução.
não preciso nem dizer que fiquei bem empolgada em descobrir, da cabeça da zeus jones, um caminho mais estratégico, abrangente e estimulante para o que eu também encaro como o futuro da comunicação.

people with higher IQs live longer

People with higher IQs are more likely to live into healthy old age, according to a study.

“Unfortunately, those who do not perform so well in intelligence tests could suffer a higher risk of heart disease, fatal accidents and suicide.

The discovery was made after researchers looked into the medical records of one million Swedish army conscripts.

After taking into account whether they had grown up in a safer, more affluent environment, they established the connection between IQ and mortality.

One of the researchers, Dr David Batty, said the statistics showed “a strong link between cognitive ability and the risk of death.”

He added: “People with higher IQ test scores tend to be less likely to smoke or drink alcohol heavily. They also eat better diets, and they are more physically active. So they have a range of better behaviours that may partly explain their lower mortality risk.”

Continua aqui

via uk telegraph

Brainstorming não é o bastante

Esses dias, conversando com um advogado sobre os termos técnicos (e que viram piada na maioria das vezes) inerentes a cada profissão, comecei a pensar sobre as origens das palavras nossas de cada dia dos publicitários.
Interessante saber que briefing, antes de virar aquele documento que ninguém da criação lê, era um documento com instruções detalhadas de operações militares, distribuído para os participantes de cada operação.
O popular brainstorming, ou na minha terra, toró de palpite, não é desde sempre uma desculpa cretina pra tomar café e falar mal da diretoria da agência. O termo foi se tornando popular a partir dos anos 30 e originalmente, era uma técnica – nem tão eficiente assim – de dinâmica de grupos para explorar a potencialidade criativa de cada indivíduo, colocando-a a serviço dos objetivos da organização. Até para o brainstorming havia regras e métodos: máximo de 10 pessoas envolvidas, mais quantidade do que qualidade, livre associação de idéias.
Mais interessante ainda foi descobrir que o brainstorming é conhecido como uma técnica de resolver problemas, e nesse universo, estão inseridas outras técnicas que oferecem diferentes caminhos para encarar um problema até encontrar suas possíveis soluções (achei essas na minha pesquisa): heurística, lateral thinking e concept map . A abordagem dessas outras técnicas beira o raciocínio lógico da matemática e os métodos nelas propostos, desde a caracterização do problema, até aos usos e indicações específicas de cada uma, são um assunto fascinante.
Em tempos de pensar fora da caixa, vale a pena pensar o próprio pensar fora da caixa.

Smarter Isn’t Better

Lots of Animals Learn, but Smarter Isn’t Better

By CARL ZIMMER
Published: May 6, 2008

“Why are humans so smart?” is a question that fascinates scientists. Tadeusz Kawecki, an evolutionary biologist at the University of Fribourg, likes to turn around the question.
David Corcoran, a science editor, explores some of the topics addressed in this week’s Science Times.
“If it’s so great to be smart,” Dr. Kawecki asks, “why have most animals remained dumb?”
Dr. Kawecki and like-minded scientists are trying to figure out why animals learn and why some have evolved to be better at learning than others. One reason for the difference, their research finds, is that being smart can be bad for an animal’s health.

continua aqui


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