Archive for future

i can’t prove that

 

but it makes a lot of sense to me.

via

comer aquilo que comida come

 

 

dois anos atrás, resolvi fazer uma experiência e parei de comer carne. foi uma decisão repentina, pra ver 1. quanto tempo eu agüentaria, 2. como o meu corpo iria se comportar e 3. se eu seria capaz de resistir a um hábito tão arraigado à minha rotina.

à medida que a minha experiência ganhava quilometragem, percebi que havia um choque na maneira como se encarava a minha escolha: a reação contrária daqueles a quem eu explicava que era (ovo-lacto) vegetariana – poucas vezes me senti tão alienígena. ser vegetariana, no meu círculo de relacionamentos, soava estranho, improvável, com um residual negativo da percepção de que eu escolhi fazer parte de um grupo “menor”, “mais fraco”, uma “minoria”. e a esse estranhamento, as pessoas buscavam uma razão. o fato da minha decisão não ter sido orientada por ideologia a tornava mais fraca, sem sentido, de “brincadeira”.

os resultados dessa experiência acabaram sendo bem diferentes daqueles que eu esperava comprovar. sim, houve diferenças significativas no meu organismo e na maneira de me alimentar… mas a minha maior descoberta, sendo vegetariana, foi sobre como são os ideais que sustentam os maiores sacrifícios.

ser vegetariana, pra mim, envolvia uma certa dose de sacrifício, da minha saúde ou das minhas relações sociais: sempre fui de comer com os amigos do trabalho e, morando sozinha numa cidade estranha, compartilhar as refeições se tornou mais importante. por isso, na maior parte delas, eu pedia massa enquanto os meus amigos pediam carne. almoçar sozinha, num restaurante natural que balanceasse a ausência de proteína animal, era coisa que eu fazia apenas a cada quinzena. a ingestão de carboidratos, aos poucos, foi me deixando redonda, apática e preguiçosa.

se eu quisesse continuar vegetariana, eu percebi que precisava de uma razão além da própria experiência em si. conheço os que deixaram de comer carne depois de entender sobre os processos de abate animal. outros que seguem uma doutrina. os que entendem o impacto da criação de animais no mundo: eu precisava de um propósito. e nada perto das minhas razões parecia com um.

já pude perceber que o meu corpo funciona melhor sem carne. que sou mais leve, mais bem humorada, que durmo melhor. basta prestar atenção à dieta, como em qualquer regime alimentar saudável. mas esse não foi o meu caso.

a minha experiência durou pouco mais de um ano e meio. aos poucos, escolhi manter a convivência com os meus amigos… e fui reintroduzindo a carne nas minhas refeições.

e, ironicamente, meses depois, me deparei com uma razão forte o suficiente: o começo do meu ideal vem da descoberta que a oferta de proteína animal no mundo não é sustentável – mesmo com os peixes nós temos problemas.

seria melhor para o planeta se fôssemos vegetarianos… ou se pelo menos, mais de nós pudéssemos viver sem comer carne, ou mesmo se o consumo de carne fosse diminuído.

sigo uma vegetariana simpatizante. e pretendo pensar novamente sobre isso, com mais informações, pra que os meus filhos possam escolher se querem ou não carne nos seus pratos.

our future


the dirty poster project

so long and thanks for all the fish

comprei um livrinho bacana com fatos chocantes sobre comida no mundo.

meu livro diz que em 1994, 27 milhões de toneladas de peixes eram descartadas/ desperdiçadas por ano;

e vi ainda esse vídeo, que fala que pra cada quilo de peixe criado em uma fazenda, são consumidos 5 quilos como ração;

 

Eating Fish from Nigel Upchurch on Vimeo.

lá pra 2048-2050, basicamente, não vai ter peixe no mar pra pescar.

contradições à parte, já dá pra ver que os peixes estão sumindo.

2048 pode parecer longe, mas parando pra pensar, em 2048 eu terei pouco mais que o dobro da idade que eu tenho hoje. terei vivido, espero, 2/3 da minha vida. meus filhos poderão ter recém atingido a maioridade em 2048. acho que ainda nem terei netos.

e por colapso, entendo falência total. mas antes do colapso, vem a crise. no caso dos peixes, vamos ver os preços subindo. vamos perceber que aos poucos o nosso restaurante preferido não oferece mais o peixe em seu cardápio. vamos ver culturas inteiras em que o peixe é a base da subsistência tendo que se reinventar. sem sushi. sem moqueca. sem peixada. sem bacalhau a gomes de sá. o sabor do peixe vai ficar na lembrança e nas histórias que eu contarei pros meus netos.

e sem peixes no mar, quem vai comer as algas? o que os tubarões e baleias vão comer? dá pra imaginar em quantos anos a população de predadores vai se reduzir?

me incomoda saber que o banho de mar dos meus netos não vai ser o mesmo que o meu. e esse apanhado de informações me deixa irritada.

afinal, dá pra ver o problema. mas não ainda a solução. continuo acreditando com muita força que estamos vivendo a grande oportunidade de agir, sob pena de que a situação seja irreversível daqui a pouco.

pain or pleasure?

 

 

via b#9


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