sobre caçadores e presas
June 2nd, 2011
sustainability
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o que eu aprendi hoje é que os elefantes estão evoluindo sem presas por causa da caça.
tenho montes de amigos que nasceram sem os dentes do siso. lá atrás eles serviam pra mastigar carne crua, que não comemos tanto hoje. e eu gosto de pensar que no futuro seremos todos carecas, banguelas, cabeçudos e fracotes.
naqueles vídeos que mostram a história da humanidade como se fosse um ano, homem aparece apenas nos últimos minutos do 31 de dezembro.
gosto de interpretar o conceito da evolução como o binômio da funcionalidade e perspectiva. funcionalidade porque, de uma forma ou de outra, os mais adaptados ao ambiente vão permanecer. desde a girafa do pescoço mais comprido, até os elefantes sem presas. e perspectiva porque um fato como esse dos elefantes, resultado de uma ação direta do homem sobre o ambiente – homem esse que chegou tão tarde e já impactou tanto o equilíbrio do planeta, me faz perceber o imenso poder que temos em nossas mãos.
mas com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, já disse o tio ben.
e, juntando os elementos desse binômio, será que realmente devemos ser os agentes de mudanças tão profundas no mundo? nós, que chegamos tão tarde?
será que nós, que somos tão novos aqui, ao imprimir tantas mudanças, não seremos encarados como elementos nocivos à funcionalidade do planeta?
à perspectiva da nossa insignificância nesse ano longo, temos em nosso favor a possibilidade de reverter o jogo… ajustar a rota e assumir uma postura de maior respeito, nesse caso com os elefantes, mas pegando a ideia geral, com o planeta todo.
a call to arms
May 26th, 2011
eu, manifesto
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no último meio ano passei por uma série de acontecimentos que me fizeram refletir sobre a vida. mais do que a profissão que eu escolhi e a minha relação com os impulsos que me fazem afirmar a minha escolha por ela, que é o assunto primordial deste tartamudeante espaço, vejo com uma impressionante clareza que nos últimos anos eu fui uma profissional, e pautei minhas escolhas em prol do desenvolvimento da carreira.
quase esqueci que fora do horário do expediente, havia alguém que gosta de cozinhar, de fazer experiências usando a si mesma como cobaia, que lê tudo que encontra pela frente e se sente feliz de verdade quando escreve.
os últimos acontecimentos, de um lado uma troca de emprego, do outro a recém descoberta de que quero dividir a minha vida com alguém pro resto dos meus dias, tudo isso embalado pela crise-dos-quase-30, sacudiram de verdade o meu mundo do controle, das referências funcionais, da objetividade aplicada.
e do meio dessa tempestade, eu encontro coisas que ainda não sei explicar em sua totalidade. percebo que a minha disposição primeira de produzir, criar, curar e transmitir conteúdo relevante para a profissão é apenas parte de um todo que não se contenta em ser deixado de lado.
que outros assuntos são pra mim tão importantes quanto. e mesmo que não tenham aplicabilidade imediata, são parte de mim e o que me torna mais profunda, mais interessada, e depois, mais interessante. o chamado da natureza e da sustentabilidade, da criação literária, do amor e entendimento das artes, a cultura e as ciências humanas, tudo o que me fascina… decido que eles agora fazem parte desse espaço.
pela primeira vez na vida, vejo o horizonte, mas não o ponto de chegada. e é a jornada que me seduz.
bem vindos ao revolution inside.
ser sintético e não ser superficial
November 3rd, 2010
conhecimento, planejamento
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não lembro onde vi (aliás, nunca lembro, me desculpem se não dou créditos por isso) alguém dizendo que recebeu uma longa carta da mãe junto com um pedido de desculpas: desculpas, meu filho, porque eu não tive tempo de escrever uma carta mais curta.
e tenho visto, em modelos de brief, em conversas com amigos ou nas referências que busco, cada vez mais os briefs uma frase, ou uma expressão, “briefs de uma palavra só”.
assim, você refina o seu desafio como planejador: tem que ser relevante, tem que apresentar uma nova visão sobre um problema a resolver, tem que ser inspirador e criativo e tem que aprender a ser sintético.
a sombra disso é bater na superficialidade, escrever qualquer coisa já que é uma entrega “pequena” mesmo. mas o trabalho para ser relevante com uma frase ou uma palavra é ainda maior. vai de todo o aprofundamento para chegar a um conceito bacana, todas as fontes e referências, e volta para eliminar o que não é relevante, o que não é inspirador e criativo, o que não vai contribuir na solução final.
é um exercício bacana olhar pro meu portfolio e perceber que os trabalhos que eu mais gosto, os que foram mais profundos, podem ser resumidos em uma palavra. alguns eu cheguei até a comunicar assim, e depois na apresentação, desenvolvi o raciocínio que levou até lá.
e acho que, entre as habilidades do planejador, deve estar a de ser sintético: não só contar uma história de maneira envolvente, mas entender o que realmente importa e se livrar do resto.
minhas férias estão chegando
October 28th, 2010
cortázar, eu, literatura
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“Pense nisto: quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. Não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra pedras que você atará ao pulso e levará a passear. Dão a você – eles não sabem, o terrível é que eles não sabem – dão a você um novo pedaço frágil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. Dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obsessão de olhar a hora certa nas vitrinas das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perdê-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. Dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. Não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniversário do relógio.”
Preâmbulo às instruções para dar corda ao relógio, de Julio Cortázar, em Histórias de Cronópios e Famas, 1962.

sir ken robinson e a bailarina
October 27th, 2010
conhecimento, educação, TED
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adoro o TED. já chorei muito (para o bem e para o mal) com o que vejo por lá: tem sempre algo interessante, e muitas vezes, desconcertante, sobre visões de mundo bem peculiares.
essa palestra não é nova, muito pelo contrário, mas vira e mexe me pego comentando sobre ken robinson e o que aprendi com ele nesse vídeo.
conheço muitas pessoas que não se adequam ao sistema formal de educação que temos hoje em dia. isso pode soar ruim, mas precisamos aprender a interpretar como ótimo: é dessa forma que conseguiremos profissionais orientados para outras áreas, já que existem outras habilidades – e ainda bem que existem.
a segunda parte do vídeo aqui.

nós que temos um ideal: o meu manifesto sobre planejamento
October 20th, 2010
eu, planejamento
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pensar sobre os caminhos da carreira é uma atividade recorrente pra mim.
e apesar de pensar muito, confesso que não tenho ainda a imagem de mim mesma daqui a 10, 15 anos – o que estarei fazendo, onde vou trabalhar, se vou ser planner, consultora, dona de restaurante (já vi nuns desses emails de auto ajuda que as pessoas mais interessantes ainda não sabem o que vão fazer da vida aos 30 anos e fiquei mais tranquila).
mas isso nunca me impediu de ter os meus objetivos de certa forma delineados e acredito que é saudável e necessário o questionamento, desde que as dúvidas não atrapalhem o que eu faço e sirvam apenas pra considerar outras opções.
e falando sobre trabalho, o caminho que tracei até chegar aqui passou por me interessar, me apaixonar perdidamente, me especializar, focar nessa área, pra só então entender um pouco mais qual o papel do planejamento e a que se propõe a disciplina como um todo: em cada lugar é diferente, e muito.
por isso, resolvi colocar no papel a minha visão pessoal do que deve ser a disciplina e como ela deve contribuir com as outras quando falamos de comunicação, onde quer que se faça comunicação.

1. pra começo de conversa
eu acredito que as organizações devem assumir uma significação maior para a sociedade como maneira de ocupar um espaço único para os consumidores, evocando os seus valores intrínsecos, suas crenças.
esse novo papel faz com que as empresas deixem de apenas vender produtos para terem um ideal, um propósito, uma razão.
e essa identidade é visceral. é sobre origens, sobre história e sobre princípios.
2. entender
eu acredito que o planejamento estratégico deve entender profundamente não só as empresas, produtos, seus consumidores, os concorrentes e como eles se manifestam, mas a sociedade, e dentro dela, as pessoas. é a inserção nesse cenário macro que vai ajudar a criar relevância e encontrar esse propósito.
3. definir
esse entendimento deve ser orientado para ajudar as organizações a encontratem sua identidade. é preciso visão crítica e criatividade, muito pensamento e trabalho para que essa identidade seja capaz de transcender a comunicação e de fato seja visceral para a marca.
4. inspirar a expressar
depois de definir uma marca, vejo que o planejamento tem ainda uma tarefa igualmente importante: inspirar aqueles que têm o trabalho de expressá-la, quaisquer que sejam os canais ou os seus formatos, porque é a maneira como tudo isso se torna real.
5. entender as disciplinas e canais
acredito que nessa expressão, o planejamento tem ainda a importante missão de encarar e entender todas essas possíveis formas com os seus mais variados meios, e considerar suas especificidades tanto de formato, quanto de conteúdo, para direcionar manifestações que sejam assertivas e complementares.
6. inovar
eu acredito em inovação como forma de evolução. que estamos mudando o tempo todo e que mudar é a maneira de encarar o novo para conseguir outros resultados – conhecer alternativas diferentes para a solução de um mesmo problema ajuda a formar uma visão crítica e comparativa do que funciona melhor.
7. mensurar
eu acredito que a credibilidade dos serviços de uma agência caminha junto com uma visão menos ingênua do businness no sentido de falar o idioma de quem paga a conta e orientar o trabalho para conseguir resultados que possam ser mensurados. e que é leviano olhar para a verba sem pensar em como comprovar a efetividade da campanha a ser produzida.
8. capacidade técnica
eu acredito que um profissional pode contribuir para o planejamento se ele tem competência técnica para entender os mecanismos da comunicação e dos negócios e se ele se mantém atualizado sobre o que acontece no mercado.
9. referências e sofisticação
mas também acredito que existem coisas que vão além do conhecimento técnico. referências, hobbies, paixões do planejador que ajudam a sofisticar o seu trabalho e trazer diferentes visões, abordagens e soluções. repertório vem de todos os lugares, não só de publicações especializadas.
10. minha paixão
eu sou apaixonada pelo que faço e gostar tanto de planejamento é o que tem direcionado as minhas escolhas nos últimos anos. por isso sempre procurei trabalhar com profissionais que admiro, em ambientes que me estimulem e que me ajudem a ficar perto dos meus ideiais.

experience
July 25th, 2010
eu, insights, referências
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“experience is what you get when you don’t get what you want.”
vi no meu horoscopo dia desses.






